Para a 9ª semana de estudos tínhamos que escolher quatro importantes autores modernos e/ou contemporâneos da história da pedagogia, sendo dois mundiais e dois brasileiros. Após escolhê-los deveríamos trazer um texto informativo sobre cada um deles, expondo, além de suas breves biografias, os elementos caracterizadores de seus pensamentos.
Escolhi, primeiramente, Lev Vygotsky, do qual tive contato pela primeira vez na disciplina de História da Educação. O fato de ter morrido tão jovem e, ainda assim, ter deixado uma enorme contribuição através de suas teorias me fascina. Penso em tudo o que mais poderia ter desenvolvido se tivesse vivido por mais tempo. Minha segunda escolha foi Maria Montessori, que derrubou todas as barreiras de sua época e deixou uma grande marca na história.Paulo Freire e Darcy Ribeiro foram as minhas escolhas de pensadores brasileiros. Ambos com forte atuação política na educação, lutaram por uma educação igualitária e de despertar de consciência.
Vamos aos textos!
LEV SEMENOVITCH VYGOSTKY
Vygostky nasceu em 17 de novembro de 1896, na cidade de Orsha, na região da Bielorrússia, no Império Russo.
Sua
formação inicial foi realizada por tutores, em sua própria residência, conforme
a tradição das famílias abastadas daquela época. No ano de 1913, Vygostky
ingressa no curso de Direito, na Universidade de Moscou, onde freqüentou,
também, aulas de História, Literatura, Psicologia e Filosofia que, posteriormente,
corroboraram com a formação das suas teorias. Vygostky fazia parte de um grupo
de jovens que buscavam um elo entre o socialismo e uma nova psicologia
integradora de corpo e mente.
Formou-se
em Direito no ano de 1917 quando a revolução Russa derrubou o império dos
czares e passou a ser governada por Lênin, um dos maiores seguidores das ideias
de Karl Marx, que defendia que as mudanças históricas na sociedade e na vida
material, modificam a natureza humana em sua consciência e comportamento.
Influenciado
por essas ideias, Vygostky construiu a teoria sobre as funções psicológicas superiores,
aliando a linguagem ao pensamento, onde o pensamento passa a existir por meio
das palavras. Entretanto, o uso da linguagem implica na compreensão,
classificação e agrupamento das coisas ou objetos, afinal, o ato de nomear é o
ato de classificar e, para isso, dispomos de um sistema simbólico que serve
como mediação da relação do homem com o mundo. Esta mediação, chamada de “mediação simbólica”, consiste na possibilidade
de representação mental de conceitos já adquiridos na dimensões do simbólico, onde,
os signos foram construídos culturalmente. Neste sentido, quando a linguagem da
comunicação se atrela ao pensamento simbólico, jamais se solta e a
possibilidade de fazer essas relações mentais é um importante traço que nos
diferencia dos outros animais.
Para
Vygostky, o desenvolvimento e a aprendizagem estão atrelados, sendo a
aprendizagem a promotora do desenvolvimento humano, com total influência do
meio cultural em que se está inserido. O desenvolvimento, para ele, é visto de
forma prospectiva e não retrospectiva, onde a intervenção pedagógica deverá
acontecer no que está por vir. Baseado nesta ideia, Vygostky desenvolveu o
conceito de Zona de Desenvolvimento
Proximal (ZDP) para estabelecer o nível de desenvolvimento real (o que o indivíduo já sabe) e o nível de desenvolvimento potencial (o
que está por vir, ou seja, o que está amadurecendo).
A
principal base de sua teoria é a de que o meio influencia o indivíduo e o
indivíduo interage com o meio. Por isso, defende que todo o aprendizado é mediado
e interacionista e a instituição escolar possui papel fundamental na formação
do conhecimento.
Fundador
da Psicologia Histórico Cultural, Vygostky
faleceu aos 37 anos, de tuberculose, no ano de 1934. Apesar de sua morte
prematura deixou mais de duzentos trabalhos científicos escritos. Somente no
ano de 1962 é que suas obras começaram a ser publicadas nos Estados Unidos e,
no Brasil, somente no ano de 1984.
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“A interação social é a origem e o motor da aprendizagem” (Lev Vygotsky)
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MARIA TECLA ARTEMISIA
MONTESSORI
Maria Montessori nasceu na Itália, na cidade de
Chiaravelle, no ano de 1870. Foi uma das primeiras
mulheres a se formar na faculdade de medicina no ano de 1896 na Universidade de
Roma, entretanto, mesmo após a sua formatura, não pode exercer a profissão de
médica, pois, naquela época, essa não era considerada uma profissão para
mulheres.
Dadas as circunstâncias, iniciou, então, um
trabalho com crianças deficientes na clínica da universidade. Seu trabalho
inicial já sinalizava para o fato de que, mais do que clínico, o problema de
tais crianças era pedagógico. Em 1898, expôs suas ideias sobre este fato no
congresso pedagógico de Turim.
Após aprofundar-se em seus estudos em Londres e
Paris, cursou Filosofia e Psicologia Experimental na Universidade de Roma e
defendeu a ideia de que a educação das crianças deveria ser fundamentada no
conhecimento científico, dando os primeiros passos para a fundamentação da
Pedagogia Científica.
No ano de 1907, fundou um projeto social com o
apoio do governo, chamado a “Casa dei Bambini”, onde resolveu aplicar as suas técnicas em crianças
consideradas “normais”. Eram filhos de operários que não tinham onde ficar
enquanto seus pais trabalhavam.
O “Método Montessori” consistia em desenvolver a autonomia da
criança, que encontrava na “casa” a liberdade para agir naquilo que estava preparado
para ela, adaptando o ambiente a ela, com materiais indispensáveis para o
exercício dos sentidos e objetos apropriados a seus desejos e a suas proporções
físicas. A ideia era possibilitar que a criança aplicasse, com seu trabalho
pessoal e segundo sua livre escolha, a solução de problemas práticos
interessantes, perante o diverso material disponível.
O princípio do “Método Montessori” é
o de deixar fazer, de vigiar e auxiliar se for necessário. O professor pondera
o que a criança pode fazer, mas não determina. A escolha é da criança que deve
agir por si mesma. Aos poucos, as descobertas e as conquistas vão seguindo um
ritmo natural, onde a perseverança levará ao refinamento.
Maria Montessori tinha um profundo respeito à criança
e às suas necessidades de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada uma
delas. Para ela, a criança explicita o que sente através da manipulação dos
objetos, por isso, é tão importante a formação do professor para que conheça
cada etapa do desenvolvimento infantil. As crianças devem conduzir o próprio
aprendizado e ao professor, cabe acompanhar o processo e detectar o modo
particular de cada uma manifestar o seu potencial.
Nas escolas montessorianas, o espaço interno é cuidadosamente
preparado para permitir aos alunos movimentos livres, facilitando o
desenvolvimento da independência e da iniciativa pessoal. Quem entra numa sala
de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou
em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão
misturados a elas, observando ou ajudando. Atualmente existem escolas
montessorianas nos cinco continentes, em geral agrupadas em associações que
trocam informações entre si. Calcula-se em torno de 100 o número dessas
instituições no Brasil.
Após a morte de Maria Montessori, aos 81 anos, seu filho
Mário Montessori continuou a divulgar ativamente o Método Montessori por meio
da publicação de livros e implementação de programas de treinamentos, além de
dirigir a Associação
Montessori Internacionale (AMI), com sede na Holanda, até o ano de sua morte em
1982.
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| “É necessário que o professor oriente a criança sem que esta sinta muito a sua presença, de modo que possa estar sempre pronto para prestar a assistência necessária, mas nunca sendo um obstáculo entre a criança e a sua experiência” (Maria Montessori) |
PAULO REGLUS NEVES
FREIRE
Paulo Freire nasceu em Recife no ano de 1921 e é considerado
um dos mais importantes pensadores da educação do mundo.
No ano de 1943 entrou para a Universidade de Recife onde
cursou a faculdade de Direito e também se dedicou aos estudos de filosofia e
linguagem. Em 1946, foi indicado ao cargo de diretor do Departamento de
Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco, onde iniciou o
trabalho com alfabetização de pobres.
Tendo vivenciado a pobreza e a fome durante uma parte de sua
infância, Paulo Freire viria a se preocupar com os mais pobres, sobretudo,
defendendo a justiça social antes da caridade. Para ele, somente através da
educação o homem seria capaz de transformar o seu meio, afinal, a educação deve
despertar a conscientização e a autonomia do indivíduo para que este possa interpretar
o mundo por si mesmo.
No ano de 1963 foi responsável, junto a um grupo de
pesquisadores, pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias,
constituindo o Método Paulo Freire
de alfabetização. Seu método era baseado, primeiramente, numa investigação
temática do universo vocabular do aluno, do modo de vida e dos costumes da sua
região, a fim de descobrir como o indivíduo sentia a sua realidade. Feito isso,
definia-se um tema gerador e demais tematizações que ilustrassem aspectos da
realidade concreta do aluno. Paralelamente a essas etapas eram trabalhadas pelo
professor as dificuldades fonéticas sendo que, desta forma, o processo de
construção e significação de palavras, leitura e escrita ocorriam
simultaneamente.
A eficácia do seu método levou o governo brasileiro a aprovar
um Plano Nacional de Alfabetização, que, com o golpe militar de 1964 foi interrompido
abruptamente. Paulo Freire foi preso e posteriormente, exilado por mais de dez
anos, publicando diversas obras durante este período.
No ano de 1968, durante o seu exílio, o governo militar
fundou o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), que, ao contrário do
Método Paulo Freire, não tratava da alfabetização como um ato político e
despertador de consciência e sim, mais como um ato de “domesticação social”.
Paulo Freire retornou ao Brasil em 1980, após a anistia. Filiou-se
ao PT e atuou como secretário de Educação da cidade de São Paulo, onde criou o
Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), adotado até os dias de
hoje por numerosas prefeituras e outras instâncias de governo. No ano de 1991
foi fundado o Instituto Paulo Freire, em São Paulo. Ativo até os dias de hoje,
o Instituto serve para estender e elaborar as suas ideias.
Paulo Freire, que morreu aos 76 anos em 1997, sempre defendeu
a “educação libertadora”, onde o professor precisa repensar a sua prática a
todo o momento a fim de despertar a criticidade em seu aluno. A
educação deve ser capaz de promover a autoconfiança e toda ação educativa deve
ser um ato contínuo de conscientização e libertação dentro de uma perspectiva de
diálogo e reflexão sobre a ação ampliando a visão de mundo e a participação
ativa do indivíduo em todas as esferas da vida em sociedade.
A horizontalidade na relação educador-educando é outro importante
aspecto de seu pensamento. O educando é sujeito de sua própria aprendizagem e a
escola/educador deve valorizar a sua cultura e a sua realidade.
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| Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.(Paulo Freire) |
DARCY RIBEIRO PINTO FILHO
Darcy Ribeiro
nasceu em 1922, no estado de Minas Gerais e faleceu em Brasília, no ano de
1997, aos 75 anos.
Darcy
Ribeiro foi um dos principais antropólogos e pensadores de educação em nosso
país. Muito conhecido por seus estudos em relação aos índios, fundou o Museu do
Índio, criou o Parque indígena do Xingu e escreveu uma vasta obra etnográfica e
de defesa da causa indígena.
Também
teve forte atuação em defesa da democratização e qualificação do ensino
público para todos. Inspirando-se no modelo americano, sustentava a ideia
de educação integral como uma das principais formas de extinguir o
analfabetismo no Brasil.
Dedicava-se
a compreender o motivo do atraso do desenvolvimento e das desigualdades das
sociedades americanas e tinha como atenção primeira os índios e as crianças, no
que envolve sua educação e raízes, fontes de inspiração para suas lutas e
pesquisas.
Além de
ter sido Ministro-Chefe da Casa Civil, fundou a Universidade de Brasília (UNB),
junto ao educador Anísio Teixeira, atuando como o primeiro reitor da
instituição. Também foi idealizador da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (UENF), no Rio de Janeiro, que hoje leva o seu nome: “Universidade
Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro”.
Após
retornar do exílio no Uruguai, em que esteve durante o período de ditadura
militar no Brasil, participou da criação dos Centros Integrados do Ensino
Público (CIEP), com a proposta de aliar os estudos formais às atividades
culturais. Também participou da elaboração da Lei de Diretrizes e Bases (LDB),
trabalhou no Ministério da Educação e da Cultura, criou o centro cultural
Memorial da América Latina, foi vice-governador do Rio de Janeiro e era membro
da Academia Brasileira de Letras.
Darcy
Ribeiro não foi só um educador, seus estudos envolveram também temas sobre
antropologia, cultura, meio ambiente e política. Produziu diversas obras e
ensaios, além de alguns romances:
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Culturas
e línguas indígenas do Brasil (1957)
·
A
política indigenista brasileira (1962)
·
A
Universidade necessária (1969)
·
Os índios
e a civilização (1970)
·
Os
brasileiros – Teoria do Brasil (1972)
·
Configurações
histórico-culturais dos povos americanos (1975)
·
O dilema
da América Latina (1978)
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Nossa
escola é uma calamidade (1984)
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América
Latina: a pátria grande (1986)
·
O povo
brasileiro (1995)
Romances
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Maíra
(1976)
·
O Mulo
(1981)
·
Utopia
Selvagem (1982)
·
Migo
(1988)
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| “O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso.” (Darcy Ribeiro) |